Medalha Dia da Marinha 2017

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Anverso

MANUEL PESSANHA, 1º ALMIRANTE DE PORTUGAL

Manuel Pessanha, descendente de uma família genovesa de experientes navegadores ao serviço de diversas cortes europeias, começou desde muito jovem a andar no mar. Em 1303, junto com o irmão Leonardo, alcançou o Mar Negro assumindo o comando da sua primeira galé, exercendo a função que, em termos da Marinharia Portuguesa, corresponderia ao Alcaide de Galé.

Em 1317 Manuel Pessanha deu um salto na sua carreira quando foi escolhido pelos cavaleiros João Lourenço e Vicente Eanes César para exercer o cargo vacante de Almirante do Reino de Portugal, sucedendo a Nuno Fernandes Cogominho, nomeado em 1307 para esse cargo então criado pelo soberano. A escolha dos emissários do Rei D. Dinis, em missão em Avinhão, recaiu sobre ele por gozar de boa reputação junto da corte inglesa e na cúria pontifícia.

Convidado a dirigir-se a Portugal, o encontro entre D. Dinis e o escolhido decorreu de forma oficial em Santarém. A magnífica cerimónia de nomeação foi caracterizada por um ritual solene em parte religioso, devido à vigília noturna de oração na igreja no dia anterior, e em parte laico, com a chegada do eleito, vestido de roupas requintadas, ao paço do rei, em que o soberano oferta um anel e uma espada, para a mão direita, e um estandarte com as armas régias, para a mão esquerda, fazendo lembrar a cerimónia da investidura dos cavaleiros.

Foi assim que, no dia 1 de Fevereiro de 1317, o Rei e o Genovês assinaram o contrato que continha as obrigações recíprocas das partes. Neste auto D. 

Dinis, de acordo com a rainha D. Isabel e o infante herdeiro D. Afonso, estabelecia as regras de contratação para o novo Almirante, impondo, entre muitas outras coisas, o vínculo de vassalagem e de lealdade ao rei e aos seus sucessores.

Este contrato viria a ser sucessivamente confirmado na sua pessoa por cartas de mercê de 10 e 23 de Fevereiro de 1317, 14 de Abril de 1321 e 21 de Abril de 1327.

Já como Almirante de Portugal, Manuel Pessanha, homem de confiança do Rei D. Dinis, forte pela sua formação e pela su

a experiência anterior, exercera um papel importante na renovação da Marinha Portuguesa, e cumprira delicadas missões diplomáticas na qualidade de embaixador do Rei de Portugal junto da Santa Sé Apostólica, numa altura em que o Reino assistia a grandes transformações no âmbito da Administração, no sentido de uma sempre e mais marcada centralização do poder, promovida pelo soberano.

Participou nas batalhas navais que opuseram Castela a Portugal no tempo de Afonso IV de Portugal e Afonso IX de Castela, tendo sido feito prisioneiro do Castelhanos em 1337, após a derrota na Batalha do Cabo de São Vicente, e libertado em 1339.

Comandou a Armada Portuguesa que auxiliou Castela na Batalha do Salado em 30 de outubro de 1340, combatendo ao largo de Cádis, enqua

Reverso

nto as embarcações dos Mouros bloqueavam Tarifa.

Em 1341, participou num ataque a Ceuta, considerada um ninho de piratas marroquinos que depredavam regularmente as costas do Reino do Algar

ve. A sua atitude neste confronto levou a que o Papa Bento XII o mencionasse elogiosamente numa Bula de Cruzada que expediu para o Rei português.

O Almirante Pessanha constituía assim em Portugal uma família que, até à crise de 1383-1385, assumia por via hereditária o cargo de Almir

ante de Portugal.