Igualdade de género

Igualdade de género

Sou do tempo, desse e de outros, em que pedir um copo de vinho a um balcão mais virado ao fino e outros afins de métrica não encontrada éramos olhados como seres estranhos e nos diziam que a tasca mal-afamada ficava lá bem ao fundo da rua. Hoje já se pode saborear um bom copo do precioso néctar com alguma métrica e rima de poesia, em copo de vidro fino de pé alto, por mais fino ou tosco que seja o balcão, 
Penso que esta conquista que tornou o vinho mais democrático se deve muito às senhoras, tanto que nos tempos vinícolas que decorrem as boas arquitectas e bons arquitectos de tintos e brancos se preocupam com o paladar das senhoras.
Isto para lhes dizer que hoje Dia da Mulher, como foi no passado dia 8, como será amanhã e como será depois… e não apenas um dia perdido no meio dos restantes 364 dias, até que mulheres e homens de todo o Mundo possam celebrar diariamente, com um bom tinto e onde a palavra (des)igualdade não faça qualquer sentido.
A propósito, não gosto da palavra género, porque penso que a consciência, a mentalidade, a justiça, a igualdade, o amor, o respeito… enquanto seres humanos, não têm género, tal como o paladar. Por mim, a palavra género/s pode muito bem ficar apenas retida nas nossas despensas.
Também não gosto da palavra cota/s, embora reconheça que faz parte da longa caminhada ainda percorrer, até ao dia em que a palavra fique também retida apenas para o desenho técnico e outros afins métricos encontrados e para a designação dos mais jovens em relação a nós, menos jovens, o que não me desagrada de todo, só lamentando não lhes podermos deixar um mundo melhor.

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Manuel Gonçalves Carvalho