VII) “in memoriam” para a história do CSA - Biénios 11º e 12º (1995/96 e 1997/98), por Joaquim Varino da Ponte.

15-08-2015 11:43

Fiz parte dos Órgãos Sociais do Clube do Sargento da Armada durante dois mandatos, XI e XII biénios, nos anos de 1995/96 e de 1997/98 respectivamente, no cargo de Presidente da Direcção.

O Clube tinha acabado de sair de uma situação bastante delicada, pois em Fevereiro de 1994 fora “despejado” da sua sede berço, no Largo Trindade Coelho nº 21 - 2º, ao Bairro Alto, depois de um longo processo movido pelo senhorio contra o Estado Português, em 4 de Agosto de 1980 e com «Tramitação em Julgado» em 7 de Dezembro de 1993, onde a má-fé e a falta de rigor não estão de todo arredados.

Os dirigentes desse tempo, em pouco mais de dez meses, desde Fevereiro de 1994 até finais do ano, concretamente em 3 de Dezembro, conseguiram, num esforço algo gigantesco, encontrar um novo espaço, situado na Rua das Escolas Gerais, nº 96, em Alfama (o bairro mais marinheiro de Lisboa), recuperá-lo, visto apresentar péssimas condições de habitabilidade (mesmo alguma ruína), e entregar os destinos do CSA ao grupo de dirigentes a que eu pertenci já com a nova Sede no novo edifício, com um aspecto bastante agradável e funcional.

A obra estava feita, agora havia que lhe dar continuidade. Foi isto que esteve sempre presente na minha linha de orientação e das Direcções a que honrosamente presidi.

Durante aqueles 4 anos em que estive na Direcção do CSA, elenco 5 pontos para resumir o que foram esses mandatos, e pela carga que lhes atribuo, elejo-os como “bandeiras”.

● Reafirmar o CSA como um clube de sentido e âmbito nacionais.

Só por isto estava justificada a necessidade da Sede em Lisboa, na capital, pois um clube deste perfil com associados espalhados por todo o território nacional, de Trás-os-Montes ao Algarve, passando pela Madeira e Açores, e até no estrangeiro, sem dúvida com maior predominância na chamada Margem Sul e Lisboa, não podia escolher outro local como alternativa para que todos

os associados se pudessem sentir abrangidos igualmente no seu seio, qualquer que fosse a sua área de residência, mais perto ou mais afastadas dos espaços sociais do clube.

● Integrar o CSA na comunidade local: movimento associativo, autarquia se sociedade civil.

Este trajecto foi feito com muita facilidade, pois, por parte de todos, em Alfama, encontrámos sempre as portas abertas para que fossemos mais um elemento do movimento associativo

daquele bairro. Porém, nem sempre assim foi, pois não podemos esquecer que constituímos uma agremiação especial, de “classe” (no sentido de categoria profissional), formada por militares, com

especificidades próprias que não queremos desvirtuadas, mas que nem sempre são bem entendidas e aceites. Mas, para nosso regozijo, não foi o caso.

● Amealhar algum capital para que o Clube tivesse mais desafogo.

O Clube tinha esvaziado os seus cofres na solução da nova Sede e ainda tinha ficado com uma dívida para com os associados, à qual se juntava uma outra, mais antiga, aquando da aquisição da

Delegação nº 1.

Se houvesse uma situação de emergência tínhamos de lhe poder responder. O CSA, devido à sua dimensão, tinha já muitas frentes e encargos, e a solução até então utilizada (a contracção de empréstimos de junto da massa associativa) não era de todo razoável e mesmo aconselhável para aqueles momentos mais próximos, tendo em conta o histórico que havia nesta matéria.

O rumo tinha de ser outro, até porque também estávamos obrigados pela Assembleia Geral a fazer depósitos a prazo de valores indexados ao valor da quotização mensal, já com o objectivo

no horizonte do clube ter melhores condições para a possível solução futura e definitiva da nova Sede, a sua aquisição. Deste modo, havia que assumir uma atitude mais economicista, mas

sempre sem pôr em causa nenhuma das actividades associativas.

Foi com esta orientação que se foi fazendo percurso.

● Começar a desbravar caminho para que o edifício da agora nova Sede Social passasse a ser propriedade do Clube.

Esta era, de facto, uma questão que nos afligia bastante, quer aos dirigentes mas também aos associados, pois o Clube pagava mensalmente, na época, à Direcção Geral do Património, uma

quantia bastante elevada, superior a 300 contos (valor substancialmente superior aos correspondentes atuais 1.500 €), com a perspectiva de este valor estar sempre a aumentar e o

edifício nunca ser propriedade do Clube. Sem dúvida, isto era insustentável.

Começaram-se então a fazer os primeiros contactos com entidades e instituições, uns formais outros nem tanto, que, embora parecendo dar resultados débeis, foram o começar de abrir e fazer

caminho para se poder alcançar o objectivo de a sede vir a ser propriedade do Clube. Como tem sido habitual na vida do CSA, também aqui apareceram amigos que nos ajudaram, aqueles

que nunca aparecem nas fotografias, os que estão sempre nos bastidores e que, quase sempre, não se conseguem vislumbrar, e para os quais temos o dever moral e ético de os não esquecer.

● Continuar a pugnar para que o CSA se mantivesse como um espaço de camaradagem, de solidariedade e de convívio, assim como de contribuição para a formação e a cidadania dos Sargentos, particularmente os Sargentos da Armada, enquanto militares e homens.

Juntamente com as tradicionais actividades de recreio, cultura e desporto, esta foi mais uma das vertentes que os dirigentes daquela época procuraram ter sempre presente para que o CSA

continuasse a cumprir o seu papel de instituição válida, inserida numa sociedade que se quer actuante, dinâmica e informada, para que os seus associados melhor pudessem avaliar e ter opinião sobre as questões da actualidade, quer dentro das Forças Armadas no que diz respeito aos seus interesses, quer na sociedade civil.

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